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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Solar de Fradinhos

Veja o vídeo da confraria das onças, realizada no Solar de Fradinhos, casa do especialista André Andrès, com duas convidadas especiais: Carol Polese e Ana Paula. Uma noite muito agradável, que também contou com a presença de Simey e Helio, do Enotria, que realizaram  a degustação de vinhos argentinos. No final, Manu Brandão, que fala sobre vinhos de Bordeaux, apareceu por lá, junto com Jorge Lessa. No cardápio: empanadas La Dollina e capaletti de André Andrès. Nós, as "onças", sempre abrimos nosso encontro mensal para uma ou duas convidadas, dando a oportunidade às pessoas de entrarem no maravilhoso mundo de Baco.






domingo, 10 de junho de 2012

Uma taça de paixão

Texto de André Andrès publicado na Revista.AG dia 10 de junho de 2012

Assim como ocorre com os vinhos, os amores e as paixões se modificam ao longo do tempo, podendo provocar sensações difíceis de definir...


O amor é, por vezes, ridículo. Quando ele está no começo, então, é de um ridículo atroz, principalmente para quem o vê de fora. Os apelidos, o ar meio abobalhado de quem está enamorado, as frases apaixonadas... As frases... Algumas delas repetem clichês criados por amantes de um passado muito longínquo. “Por onde você estava durante todo esse tempo?” é uma variação um pouquinho mais pobre de um dos muitos poemas de Julieta para Romeu. Desgastada pelo uso excessivo, a bela definição “O coração tem razões que a própria razão desconhece” está em “Pensamentos”, livro do matemático e filósofo Blaise Pascal, editado em 1670... Por serem muito usadas, por se tornarem clichês, essas frases perderam sentido? Ao contrário – mesmo porque o amor necessita ser sentido, e não de algum sentido. Uma delas, aliás, estabelece o amadurecimento do amor, quando ele passa do estágio quase puro do namoro para o do relacionamento durável: “Quero envelhecer ao seu lado...” É como se a pessoa dissesse que quer entrelaçar os destinos, criando raízes e troncos, fortes, duradouros. Robustos como o de uma videira de muitas décadas.
 
Os frutos dessa videira só podem ser muito especiais. Vê-se isso tanto em famílias felizes quanto em vinhos de grande qualidade. Como o D, ícone da casa chilena Donoso, tinto de produção relativamente pequena (13 mil garrafas, em média). As uvas usadas em sua produção (Cabernet Sauvignon, Carménère, Malbec e Cabernet Franc) saem de videiras com mais de 60 anos. Como ocorre com amores amadurecidos pelo tempo, capazes de desbastar arestas e tirar da relação apenas o que ela tem de bom, essas árvores produzem poucos, mas excelentes frutos. O resultado só podia ser um vinho largamente premiado, como é o caso do D.
No entanto, para alguns entendedores de tintos e brancos, a qualidade de uma vinícola não deve ser medida por seus rótulos mais sofisticados, e sim por aqueles mais simples, “de entrada de linha”, como dizem os especialistas, ou mais baratos, para ser mais direto. E isso a Donoso consegue fazer bem: o Evolución funciona muito bem dentro de sua faixa de preço. Um pouco mais caro, mas ainda numa boa faixa de preço, o Bicentenário evolui bem na taça.
Os vinhos mais elaborados da Donoso apresentam grande variedade de aromas e sabores a serem decifrados. Enigmas a serem desvendados, como se fossem amores desabrochando. Assim como acontece com bons vinhos, eles evoluem, amadurecem, melhoram com o tempo. E por isso merecem ser provados com cuidado, lentamente. Para que provoquem prazer. E surpresas. Sempre. Como se cada gole ou cada beijo fosse o primeiro. Aquele, inesquecível, doce como uma uva, forte como uma videira...

Os vinhos da casa Donoso

R$ 25
Evolución
Cabernet Sauvignon que serve como vinho básico da vinícola. Prova de qualidade da Donoso. Bate outros na sua faixa de preço e também vinhos mais caros. Fácil de beber.

R$ 48
Bicentenário
O nome homenageia a independência do Chile. Carménère de excelente custo-benefício. Na taça, evoluiu muito, com aromas de café tomando todo o copo.

R$ 55
Clos Centenaire
A Donoso usa muito o corte bordalês (neste caso, mescla de Cabernets Sauvignon e Franc, Carménère e Malbec). O Clos é um vinho bem elegante.

R$ 90
1810
Ao lado do Perla Negra, forma a linha premium da vinícola. Muito premiado, é uma combinação bem feita de Cabernet Sauvignon e Carménère.

R$ 118
Perla Negra
O último vinho da degustação não é barato, mas tem ótima relação custo-benefício: vale mais do que custa. Corte bordalês resulta num tinto
excepcional.

R$ 180
D
O vinho ícone da Donoso também é feito com corte bordalês.  Potente, equilibrado, muito rico e complexo nos aromas e sabores. Tem muita vida pela frente. Excelente tinto.


sábado, 9 de junho de 2012

Contagem regressiva




Vitória já está em contagem regressiva para a quarta edição do Vitória Expovinhos 2012 - 4° Salão Internacional de Vinho, que trará para o Centro de Convenções, nos dias 20 e 21 de junho, o que há de mais significativo no mundo do vinho, em qualidade e quantidade. Serão mais de 700 rótulos de 16 países, 60 expositores e cursos e palestras para amantes e profissionais do vinho. E nós, da Confraria das Onças, estaremos lá. 
O evento contará com uma feira no formato Wine Tasting. O participante inscrito receberá uma taça de cristal padrão ISO na recepção e poderá degustar todos os vinhos expostos na feira. Mas, nós, as onças, vamos levar também as nossas, personalizadas. 

Além disso, os participantes terão a oportunidade única de apreciar diferentes rótulos de 16 países e conversar com enólogos, sommelieres e representantes, que apresentarão cada vinho, as suas origens e os tipos de uva.
O Vitória Expovinhos abrigará, ainda, uma programação de palestras com enólogos e profissionais ligados à enogastronomia de renome nacional e internacional e cursos dirigidos à qualificação de profissionais de restaurantes, hotéis e pousadas do Estado.
Outro grande momento do evento será o Prêmio Top Five, coordenado pela Associação Brasileira de Sommeliers no Espírito Santo (ABS-ES), que elegerá os cinco melhores vinhos degustados na feira em seis categorias: Tinto e Branco Velho Mundo, Tinto e Branco Novo Mundo, Espumante e Sobremesa.
O evento também se apresenta como oportunidade de negócios para empresários e profissionais a serviço do vinho, uma vez que reúne agentes de todos os elos da cadeia produtiva, desde vinícolas, passando por importadores e atacadistas, até o mercado varejista, isso sem falar nas empresas representantes de acessórios e produtos ligados ao consumo do vinho.

O começo...

A primeira edição do evento foi realizada em 2009 com a participação de 33 expositores e 120 rótulos para degustação. Em 2010, foram 50 expositores e 500 rótulos. E em 2011 foram 60 expositores e 700 rótulos - números que, segundo a organização do evento, serão superados este ano. E não é para menos, afinal o Espírito Santo é o maior consumidor de vinhos chilenos e terceiro maior consumidor per capita de vinhos do Brasil.

 O Vitória Expovinhos 2012 – 4° Salão Internacional de Vinho de Vitória é uma realização do Sindicado do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Vitória (Sindivarejista) e da Federação do Comércio do Estado do Espírito Santo (Fecomércio)

Fique por dentro

Evento: Vitória ExpoVinhos 2012 – 4º Salão Internacional do Vinho de Vitória.
Data: 20 e 21 de junho
Local: Centro de Convenções de Vitória.

Convite:

Lote promocional
R$ 120 (1 dia)
R$ 170 (2 dias)

1° lote

R$ 150 (1 dia)
R$ 200 (2 dias)

2° lote

R$ 180 (1 dia)
R$ 230 (2 dias)

Convites corporativos (somente 1 dia e para empresas):

50 convites: R$ 5 mil
80 convites: R$ 7,2 mil
100 convites: R$ 8 mil

Informações: Rota Eventos (27 3319-8110)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Resort & Spa para amantes do vinho

Empreendimento na principal região vinícola da Argentina atrai brasileiros

A The Vines of Mendoza, empresa argentina idealizadora e gestora de uma área de 600 hectares de vinhedos privados na região vinícola de Mendoza, está construindo um luxuoso Resort & Spa, que além de seguir o conceito de boutique, fica em um cenário cinematográfico: em meio a extensas videiras, ao pé dos Andes, que abriga uma das mais belas paisagens do país.

Com previsão de entrega da primeira fase já para dezembro deste ano, o The Vines Resort & Spa será um conjunto de chalés, com serviço completo de hotelaria e uma sofisticada estrutura de bom gosto: wine bar, espaços para tratamentos de beleza e saúde à base de vinhos, fitness center, piscina, restaurantes, salões para festas e ambientes onde os hóspedes possam desfrutar com todos os sentidos a proximidade e os 180 graus de visão para a majestosa Cordilheira dos Andes. Para que a comodidade seja total, haverá serviço de hotelaria disponível 24 horas. Nesta primeira fase estão sendo construídos 22 chalés, já disponíveis para compra, com três diferentes opções de tamanho e composição, com um ou dois dormitórios. 

“Nosso Resort & Spa é ideal para os amantes do vinho e muito convidativo para esportivas, pessoas com espírito de aventura, amantes da natureza e que buscam por bem-estar”, define Pablo Gimenez Riili, presidente e um dos fundadores da The Vines of Mendoza. Ele acredita que o empreendimento é um ótimo investimento para brasileiros. “Mendoza é muito próxima. Tem uma paisagem diferente, 300 dias de sol por ano, oferece a possibilidade de experiências fantásticas para os amantes de vinho e é bastante acessível diante da realidade econômica do Brasil atualmente”.

Como a sua primeira inspiração é o vinho, o projeto do Resort & Spa foi feito pelo escritório Bormida & Yanzon, responsável pelos mais admirados conjuntos arquitetônicos no coração da região vinícola da Argentina. Luxuosos e confortáveis, os chalés foram projetados para proporcionar uma visão panorâmica dos extensos vinhedos e da paisagem única da região.  Neste cenário, os amantes do vinho contarão com uma adega, com mais de 500 rótulos do melhor da vinicultura argentina e a mais fina gastronomia internacional, proporcionando refinada exploração do paladar através de vinhos e alimentos.

Quem comprar um chalé no The Vines of Mendoza tem a opção, ainda, de participar de um programa de locação, da qual pode-se beneficiar do aluguel da propriedade quando estiver  fora. A própria administração do resort fará a venda de diárias para hóspedes interessados e repassará um porcentual da receita aos participantes do programa que tiverem as propriedades alugadas.

O The Vines Resort & Spa foi concebido pelos dois fundadores da The Vines Of Mendoza, Pablo Gimenez Riili e Michael Evans. Assim, o Resort & Spa segue o mesmo padrão de refinamento e o minucioso cuidado com os detalhes que constituíram a base do sucesso da implantação da área de vinhedos privados, atualmente compartilhada por 100 proprietários de diversos países, inclusive do Brasil, com lotes a partir  de 12 mil metros quadrados. 







Concurso Portugal Wine Expert


 A 5ª edição do concurso abrirá a semana de eventos que promoverá a enogastronomia de Portugal com cursos, workshops, palestras e harmonizações 


O Portugal Wine Expert, que coloca candidatos sob testes, avaliando os conhecimentos acerca da vitivinicultura lusitana, começa nesta segunda-feira. O evento reunirá em São Paulo os principais profissionais e especialistas em enogastronomia portuguesa.

O concurso é o primeiro de uma série de eventos organizados pela Wine Academy, com patrocínio da Vinícola Aveleda. Em sua 5ª edição, irá premiar o vencedor com uma viagem para conhecer as principais regiões produtoras de Portugal.

Responsável pelo evento e diretor da Wine Academy, o sommelier José Carlos Santanita reuniu importantes nomes da enogastronomia portuguesa e outros especialistas da área de vinhos para serem jurados do concurso.

Para o evento já estão confirmadas as presenças do chef Luis Mourão e do sommelier Manuel Moreira, tanto como jurados como palestrantes nos eventos paralelos, além do médico Márcio Bontempo, que também fará o lançamento do livro “A saúde da Água para o Vinho”, no dia 26 de junho, no Consulado Geral de Portugal.

Confira abaixo a agenda completa:

Abertura do Portugal Wine Expert
Data: 11 de junho de 2012
Hora: 14h30
Local: Consulado Geral de Portugal

Jantar Harmonizado
Gastronomia portuguesa de Norte a Sul 
Chef Luis Mourão e sommelier Manuel Moreira
Data: 25 de junho
Hora: 20h
Local: Restaurante Espírito Santo
Inscrições

Workshop de Gastronomia Portuguesa
Luis Mourão
Data: 26 de junho
Hora: 10h
Local:
Consulado Geral de Portugal
Inscrições

Palestra “Vinho e Saúde” e Degustação de Vinhos Grand Follies da Aveleda e Aguardente Adega Velha  
Dr. Márcio Bontempo e José Carlos Santanita
Data: 26 de junho
Hora: 14h30
Local:
Consulado Geral de Portugal
Inscrições

Degustação de Vinho do Porto 
José Carlos Santanita
Data: 26 de junho
Hora: 21h
Local: Tasca da Esquina
Inscrições

Final do Portugal Wine Expert
Data: 27 de junho
Hora:  17h
Local: Hotel Unique em São Paulo

Workshop Bacalhau
Chef Luis Mourão
Data: 28 de junho
Hora: 10h
Local: Consulado Geral de Portugal
Inscrições

Degustação de vinhos da casta Touriga
Data: 28 de junho
Hora: 14h30
Local: Consulado Geral de Portugal
Inscrições

Prova vertical realizada pela Herdade dos Coelheiros no Brasil
Inclusão dos místicos Chardonnay e Garrafeiras
Data: 29 de junho
Hora: 14h30
Local: Consulado Geral de Portugal
Inscrições

Jantar Harmonizado
Manuel Moreira, José Santanita e Luis Mourão 
Data: 29 de junho
Hora: 20h
Local:
Restaurante Bacalhoeiro
Inscrições

Workshop de Doçaria Conventual Portuguesa.
Data: 30 de junho
Hora: 10h
Local:
Restaurante Bacalhoeiro
Inscrições

Apoiadores
Há mais de 50 anos no Brasil, a Vinícola Aveleda é uma das principais produtoras de vinhos portuguesas. A empresa apoia o concurso Portugal Wine Expert desde o início, mostrando a sua preocupação com a educação vínica. Entre os expositores, estão Quinta do Crasto, Tapada dos Coelheiros, Herdade da Comporta Scancio e Valle de Pradinhos, mostrando que a educação na área é o melhor caminho para o crescimento do consumo de vinhos. A Exponor, organizadora da Expovinis - maior feira de vinhos da América Latina - apoia o evento na edição de 2012, assim como a Vini Portugal, Associação interprofissional para a promoção dos vinhos portugueses.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Alma poética

Texto de André Andrès, publicado na Revista.AG, do jornal A GAZETA, em 03/06/2012 




A região do Alentejo, no Sul do país, é responsável pela (r)evolução dos vinhos portugueses: produtores conseguiram aliar modernidade e tradição.
 

A evolução e a revolução podem estar onde menos se espera. Às 22h55 do dia 24 de abril de 1974, a Rádio Renascença, de Portugal, começou a tocar uma música singela, romântica, de certo sucesso na época: “E Depois do Adeus”. Na verdade, os versos amorosos eram a primeira senha para os revoltosos se levantarem contra o regime salazarista, ditadura imposta aos portugueses desde 1933. Uma hora depois, a mesma rádio tocou os versos engajados e proibidos de “Grândola, Vila Morena”. Nascia o 25 de Abril. E da poesia se fez a Revolução dos Cravos (meses depois, ela seria cantada por Chico Buarque em “Tanto Mar” – “Foi bonita a festa, pá, fiquei contente. Ainda guardo, renitente, um velho cravo para mim...” – , canção proibida durante anos pelo regime militar).

Mais ou menos pela mesma época, outra revolução, bem mais silenciosa, ocorria em terras lusitanas. O Alentejo, com larga e extensa história de cultura de videiras, começava a reorganizar sua produção vinícola em torno de cooperativas de produtores. A evolução foi constante ao longo de anos. Os frutos surgiriam efetivamente a partir da década de 80. Até então, com raras exceções, Portugal era conhecido pelos seus ótimos vinhos do Porto. Mas também era famoso por seus rótulos de grandes produções, espalhadas por todo o planeta, e baixa qualidade. Pois surgiu no Alentejo um movimento para tornar o vinho português mais moderno, mais qualificado, melhor, enfim. Técnicas como o uso de cubas de inox, controle de temperatura e até mesmo a mecanização de alguns processos de produção (na região de Évora, por exemplo, a vinícola Ervideira é tocada, em boa parte do ano, por apenas 15 pessoas) resultaram, por um lado, em vinhos modernos e de ótimo custo-benefício, e, por outro, em rótulos muito bem cuidados. A mecanização dá aos enólogos mais tempo para cuidar com muito mais carinho e atenção de vinhos premium – alguns deles são feitos literalmente com os pés (para a pisa das uvas) e as mãos (para todo o restante do processo de amadurecimento do mosto).

As melhorias não pararam por aí. A seleção de castas foi apurada, e houve uma redução no volume de vinhos produzidos, com a consequente evolução do produto final. Ao longo dos últimos anos, o Alentejo ganhou respeito, ganhou espaço e ajudou a espalhar qualidade por todo o país, como pôde ser comprovado numa degustação ocorrida no Carone de Vila Velha. Foram provados vinhos do próprio Alentejo, do Douro, do Tejo, da Madeira. Diversas regiões, muitos sabores e aromas, com vinhos bem estruturados e que demonstraram ter recebido todos os cuidados que podem ser oferecidos por uma vinícola sofisticada – atenção: sofisticada, não luxuosa.

Os produtores fizeram tudo isso sem perder o pé no passado. O Marquesa de Alorna, por exemplo, é um branco (produzido com Cardonnay e Arinto) feito no Tejo em homenagem a Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, nobre poetisa portuguesa do século XVIII, conhecida por sua obra pré-romântica e por sua ousadia. Uma ousadia também presente na cabeça dos produtores portugueses, capazes de rever as estruturas da produção viníciola de seu país, e na mente romântica dos líderes revolucionários de 25 de Abril. Porque só em Portugal uma revolução é iniciada com versos como:

“Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade.
O povo é quem mais ordena.
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade,
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade...”

Versos que, de certa forma, foram precedidos pelos de Leonor de Almeida, séculos antes, em sua narrativa de um dia glorioso:

“Vai-se a fresca manhã alvorecendo,
Vão os bosques, as aves acordando.
Vai-se o Sol lentamente levantando
e o mundo à vista dele renascendo...”

Renascendo na liberdade, na criatividade e no lirismo de quem enxerga poesia tanto num levante como no rótulo de um vinho – estes últimos versos estão estampados na garrafa do ótimo vinho branco que homenageia a Marquesa de Alorna. Um sinal mais do que evidente da alma poética do povo português.

OS VINHOS DA PROVA DO ALENTEJO
R$ 54

Ouzado Tinto 2008
A ousadia começa na brincadeira com a língua. E continua na combinação da portuguesíssima Touriga Nacional com a francesíssima Petit Verdot. Bom custo-benefício.

R$ 105
Marquesa de Alorna Reserva Branco 2009
Feito com Arinto e Chardonnay. Esta última prevalece e, devido à passagem por madeira, lembra muito os bons brancos do Novo Mundo. Ótimo vinho.

R$ 128
Quinta de Chocapalha 2007
Ótima mescla de Alicante Bouschet, Castelão, Syrah, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Boa estrutura num vinho que deve envelhecer muito bem.

R$ 148
Pintas Character 2008
Típico português: mais de 20 castas juntas e misturadas. Um tinto superior, com produção de 18 mil garrafas. Longa vida pela frente. Excelente opção.





segunda-feira, 4 de junho de 2012

Noite à francesa

As "onças" degustando vinhos franceses, na Enotria, com a apresentação excelente de Manu, falando um português-francês. Muito bom! Nesta noite tivemos uma convidada especial, Lívia Ferolla. E também o sorteio de uma bolsa para carregar vinhos, trazida de Paris, pela confrade Andréia Lopes. Quem ganhou o mimo foi Marli Siqueira.


sábado, 2 de junho de 2012

Noite de Tokaji Aszú






Encontro no Carone de Vila Velha, tendo, como sempre, o grande anfitrião Vanderlei Martins. Neste dia, a confrade Marli Siqueira, além de sortear uma linda echarpe de onça vinda direto de Paris (quem ganhou foi Marina Monteiro), nos ofereceu um Tokaji Aszú Oremus 2003. Conta a lenda, que os vulcões da Hungria foram os primeiros responsáveis pela formação dos terroirs de Tokaj, região situada no nordeste do país, próxima à fronteira da Eslováquia. Mas foram os romanos que plantaram os primeiros vinhedos na região. 


Até que lá pelos anos 1240, os húngaros, preocupados com os ataques dos turcos, resolveram atrasar a colheita das uvas, o que ocasionou o surgimento de um misterioso fungo - Botrytis cinerea - que atacou as videiras. Naquela época as coisas eram difíceis e qualquer desperdício significava um sacrilégio, por isso produziram o vinho assim mesmo. 

Os húngaros não sabiam, mas estavam começando a produzir um dos mais espetaculares vinhos de sobremesa de todos os tempos, uma bebida refinada, de coloração dourada, com notas intensas de mel e frutas secas.

Hoje, os Tokajis (lê-se tocáiis), da região de Tokaj, são reconhecidos pela Unesco como os primeiros no mundo produzidos de uvas botritizadas. A Botrytis cinerea é um fungo microscópico que ataca as uvas, penetra em seu interior e as desidrata severamente, deixando-as com aparência de uvas passas. No interior do fruto desidratado, permanece alto teor de açúcar, sais minerais e ácidos naturais residuais. Os húngaros chamam essa uva murcha de fungo de Aszú.  

A Botrytis cinerea nunca ataca os cachos por inteiro, o que faz com que a colheita de Aszú seja lenta e trabalhosa. São necessárias diversas passadas para o "picking" - nome que se dá ao processo de seleção dos bagos botritizados. Essa tarefa é realizada exclusivamente por mulheres, pois homens, claro, não têm paciência para executar a delicada tarefa. Por isso, algumas mulheres trabalham na colheita há mais de 60 anos.

O vinho é tão famoso que é citado até na letra do hino nacional da Hungria. E por isso é conhecido como “néctar dos deuses”. O grande pensador francês Voltaire, por exemplo, dedicou-lhe um poema. E não é difícil imaginar que algumas das melhores obras de Beethoven, Schubert e Rossini tenham sido inspiradas por uma ou duas taças de Tokaji, do qual eram admiradores.

Conta a lenda que desde a Idade Média o Tokaji Aszú é conhecido como “Vinum regnum-rex vinorum",  algo como “vinho dos reis e rei dos vinhos”. Dizem que foi assim que Luís XIV, o Rei Sol, o teria apresentado a sua amante, Madame de Pompadour. A lista inclui, também, a rainha Vitória, da Inglaterra; o tzar Pedro, “o Grande”, da Rússia; e a imperatriz Maria Teresa, da Áustria. Todos acreditavam que este vinho trazia longevidade a quem o degustava.

As uvas Aszú (botritizadas) chegam à vinícola em recipientes de madeira, que comportam em torno de 25 quilos, chamados "puttony" ou “putt”. São elas que irão definir o grau de doçura do Tokaji Aszú. O rótulo menciona 3, 4, 5 ou 6 "puttonyos", o que traduz a quantidade de "puttonyos" (caixas de uvas botritizadas) que foram acrescidos aos 136 litros (correspondentes a uma barrica local - ou "gönc") de vinho base, ou seja, mosto fresco de uvas brancas não atacadas pelo fungo. Atualmente, a doçura se mede por gramas de açúcar residual por litro. O tempo mínimo de estágio em barricas também varia e até recentemente se dizia que seria, em anos, o número de puttonyos mais dois. Assim, um Aszú 6 "puttonyos" só poderia ser engarrafado, no mínimo, oito anos após ser produzido. Na prática, não é bem assim e se engarrafa bem antes do previsto.

Via di Vino



10 aplicativos para amantes de vinho

Se você tem um tablet, um smartphone ou um iPhone e gosta de vinhos, conheça os aplicativos que nossas confrades mais curtem:



Wine.com

É  bem legal, pois mostra uma imensa variedade de vinhos, localizando em um mapa o local de produção, com preços para o mercado americano e inclusive a nota dada por degustadores para cada um deles.

Winers Growers Direct

Esse é para quem está dando os primeiros passos - como nós - no mundo de Baco. Ele ensina sobre vinhos, notas, tipos e tons. 

Food & Wine

A revista americana sobre comidas e vinhos traz edições grátis. A qualidade editorial e de imagens é impressionante.

Wine-is Wine List

O legal deste aplicativo é que está disponível em português e informa sobre os melhores vinhos do mundo. Além disso, oferece opções de filtro por tipo de cliente: restaurantes, amantes de vinho e distribuidoras.
 
Berrys' Wine List

O aplicativo foi desenvolvido por uma das bodegas mais tradicionais da Inglaterra para iDevices. Traz informações detalhadas sobre vinhos do mundo inteiro.

Wine Stein Pro

Esse é excelente, pois oferece uma imensa lista de comidas para escolher. Você seleciona o que vai comer e o aplicativo lhe sugere uma série de vinhos que vão com aquele tipo de comida. Ideal para quem não quer "pagar mico".
 
Drink Wine 360

Com a ajuda da bússola de seu iPad você pode realizar tours em 360 graus. Basta você selecionar o destino e sair passeando. Você gira o iPad e pode observar os locais onde os melhores vinhos são produzidos.
 
Enoblogs


Este está nos nossos selicionados aqui na Confraria das Onças. O aplicativo reúne posts dos melhores blogs sobre vinho em língua portuguesa no Brasil e no mundo. 

Wines & Vines

Outra revista especializada em vinhos, com edições gratuitas.  


Wine List

Você tem um restaurante e gostaria de disponibilizar sua carta de vinhos no iPad? Este aplicativo é personalizável, para que você inclua seus preços e vinhos.

Via  ipaddicas

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Coisas de Oncinha

Como nós somos onças assumidas - mas não peruas - e adoramos um mimo com a textura do animal, deixamos aqui, para quem também não tem medo de assumir seu lado mais exótico, a loja virtual Coisas de Oncinha. Lá encontra-se de tudo um pouco - claro, só com essa estampa. Agora, nenhuma das confrades pode dizer que não tem algo de onça para "chamar de seu".

Maleta em couro para notebook. Preço: R$ 120
Capinha em couro para iPhone. Preço: R$ 89
Óculos estilo retrô. Preço: R$ 89
Porta-óculos. Preço: R$ 21,90