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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Campeões de preço

Coluna de André Andrès, de 1º de julho, na Revista.AG, do jornal A GAZETA

Relação traz os 10 vinhos mais baratos entre os 30 rótulos que conquistaram o cada vez mais cobiçado título de Top Five da Vitória Expovinhos

A prova já ficou famosa entre os apreciadores de vinho: 10 dos rótulos mais famosos de Bordeaux foram colocados numa mesma mesma mesa com um Chateau Reignac, bem mais barato e menos conhecido. Pois na degustação às cegas - nela, os degustadores não sabem quais vinhos estão tomando -, o Reignac  venceu nove dos 10  rótulos de Bordeaux. Essa forma de degustação guarda esse tipo de (agradável) surpresa: vinhos menos conceituados e mais baratos vencem rótulos famosos e bem mais caros. Ou, visto de forma diferente, vinhos baratos acabam tendo sua qualidade reconhecida por degustadores experientes. 


Isso aconteceu com o Top Five da Vitória Expovinhos. A relação dos 30 vencedores distribuídos em seis categorias trouxe rótulos de preços bem acessíveis. Eles ficaram no mesmo patamar ou superaram vinhos bem mais caros, que acabaram fora da lista final. É bom lembrar: não há uma classificação entre os cinco vinhos escolhidos em cada categoria – são divulgados apenas os nomes dos vencedores, sem detalhes sobre a pontuação. 


A relação traz alguns vinhos de maior valor ao lado de outros, bem  mais baratos. O champanhe Cattier Brut Blanc de Blanc, por exemplo, é encontrado no mercado por cerca de R$ 200. Ao seu lado, entre os Top Five de espumantes, está o Aurora Brut 100% Pinot Noir, vendido por algo em torno de R$ 30. Ah, então o Aurora é tão bom quanto um Cattier? Não, não chega a tanto. Mas é possível afirmar que entre as dezenas de espumantes servidos na feira, o Aurora ficou na faixa dos cinco melhores, numa qualificação muito próxima ao Cattier.
Bem, se é assim, por que não fazer uma relação dos Top Five de bom custo-benefício? Aliás, neste caso, de excelente custo-benefício, porque são vinhos de até R$ 90 premiados por um júri formado por 13 grandes degustadores (eu participei do grupo, mas não me incluo na categoria de degustador: a organização do evento deve ter me convidado para que eu observasse e aprendesse como deve se comportar um provador experiente...). 

Tem de tudo nessa lista: de espumante nacional a tinto do Velho Mundo.  Alguns dos vinhos  estão esgotados no mercado de Vitória ou ainda não chegaram. Também estão citados sites em que os preços são vantajosos – mas é sempre bom prestar atenção no valor do frete. De qualquer forma, é  uma ótima referência para quem quer reforçar a adega sem gastar muito. Agora, é só escolher um dos rótulos, abrir e servir, afirmando: “Prove. Esse é um Top Five!”

R$ 28
Aurora 100% Pinot Noir
Os espumantes nacionais sempre aparecem bem no Top Five. Desta vez, quem brilhou foi esse vinho produzido apenas com a uva tinta Pinot Noir. Excelente custo-benefício.
Onde comprar:   Vinhosnet

R$ 35
Los Vascos Chardonnay
No painel de Vinhos Brancos do Novo Mundo do Top Five, o Los Vascos é o mais barato. Ótima opção de Chardonnay numa categoria dominada pela Sauvingon Blanc. Foi encontrado só em sites.


R$ 50
Aurora Millésime
A safra 2009 do tinto brasileiro se destacou ao lado de rótulos de Tintos do Novo Mundo, como o Donoso e o Peñalolen Tez. 
Onde comprar:  Vinhosnet


R$ 49
Espumante Vértice Rosé
Portugal tem enviado ótimos “brutos” ao Brasil. Para quem não sabe, “bruto” é a maneira portuguesa de definir o espumante brut. Bebida leve, gostosa. Muito boa. 
Onde comprar:  Carone


Até R$ 59
Casa del Bosque Reserva Sauvignon Blanc
Excelente vinho por um preço mais do que honesto. Muito fresco, gostoso. Já havia sido citado na coluna semanas atrás. Ótima opção. 
Onde comprar:  Enotria e Espaço D.O.C.


R$ 65
EQ Coastal Sauv. Blanc
O Sauvignon Blanc da Matetic é excelente. O EQ (de equilíbrio) justifica seu nome, com acidez perfeita e muito sabor. 
Onde comprar: Grand Cru


R$ 76
Cava Castellroig
O cava  recebeu 88 pontos de Robert Parker. Sinal de que os jurados da Expovinhos estão  alinhados com o papa dos vinhos. Ou seria o contrário? 
Onde comprar: Grand Cru


R$ 76
Celler Besllum 2008
 A relação “pontos-benefício” chega às alturas: o vinho espanhol recebeu 93 pontos de Robert Parker. Bela mistura de Cariñena, Garnacha e Syrah. 
Onde comprar: Grand Cru


R$ 36,90
Salton Intenso
Para finalizar, um vinho de sobremesa que já havia sido premiado na Expovinhos. O Salton Intenso vem em garrafa de 375 ml. Muito gostoso, equilibrado. E as mulheres adoram... 
Onde comprar: Carone

quinta-feira, 21 de junho de 2012

As "onças" na Vitória Expovinhos


Ontem, durante o primeiro dia do Vitória Expovinhos - 4º Salão Internacional do Vinho de Vitória, as "onças" fizeram bonito e tomaram muitos vinhos deliciosos, sempre com o aval de nosso especialista André Andrès. Entre eles o Conde D'Ervideira Reserva Branco, com aromas de frutos tropicais, especiarias e baunilha, e o Invisível, que utilizando o potencial aromático do Aragonez, traz aromas de chá (Earl Grey), hortelã, casa de lima e salva. Além disso, tivemos o prazer de conhecer Duarte Leal da Costa, que hoje cuida, junto com a matriarca da família, de suas videiras na simpática cidade medieval de Portugal.

Também conhecemos a Rainha do Maipo (como a nomeou André Andrès), Cecília Torres, da Santa Rita, que convidou a confraria para comemorar o Dia Internacional da Mulher, em março do ano que vem, na vinícola, no Chile. Lá na feira tivemos a oportunidade de provar o Santa Rita Sauvignon Blanc Reserva (uma preciosidade). Ela veio ao evento a convite da Grand Cru, sob o comando do empresário Humberto Freire, que ofereceu também o Matetic EQ Coastal Sauvignon Blanc, Matetic Corralillo Syrah, Santa Rita Medalla Real e Sideral de Altair, além de deliciosos petiscos. O local estava bem concorrido, com bastante convidados).

Outro espaço bastante visitado foi a Portus Cale, cujo representante no Estado é Roberto Rodrigues (que nos ofereceu a primeira degustação quando nossa confraria começou). Ele nos apresentou o Só Syrah e o Catarina (branco). Deliciosos! Também encontramos o maior amigo das "onças" (mas ele não é um amigo da onça, como fez questão de dizer) Vanderlei Martins, que sempre nos oferece degustações ma-ra-vi-lho-sas no Carone, ao lado do sempre sorridente Olício e da simpática - e chef de mão cheia - Arlete (que estava linda lá representando o supermercado). 

O multi Jace Theodoro




Rachel Martins e Andréia Lopes na Grand Cru

Mariana Perini e Ana Claudia na Grand Cru

Ana Claudia, Mariana Perini e Zainer Silva na Grand Cru

Carol Polese, Ana Paula e Andréia Lopes prestigiando a Grand Cru

Carol Polese e Andréia Lopes

Mariana Perini no maior estilo com seu anel de onça,

comprado em San Telmo, Buenos Aires


Ana Claudia e Rogério Baracho

Elaine Silva, Zainer Silva e Andréia Lopes

Marli Siqueira e o especialista André Andrès

O multi Jace Theodoro e Marli Siqueira


Da esquerda para direita: Zainer Silva, Ana Claudia, Elaine Silva, Marli Siqueira, Rachel Martins, Vanderlei Martins (o maior amigo das "onças"), Andréia Lopes e Renata Rasseli


André Andrès, Marli Siqueira e Faé


Da esquerda para direita: Zainer Silva, Marli Siqueira, Cecília Torres (da Santa Rita, Chile), Elaine Silva, Mariana Perini, Rachel Martins e Renata Rasseli. Todas prestigiando a Portus Cale

Mariana Perini desfilando seu óculos de gatinha
Mariana Perini e Eduardo Caliman prestigiando a Wine Store Carone


André Hess e Renata Rasseli


Zainer Silva e Rachel Martins


Ana Claudia, Zainer Silva e Rachel Martins


Beth Feliz e Danilo


Eduardo Caliman e Jace Theodoro

Jace Teodoro e Elaine Silva, na Chandon

Duarte  Leal Costa, da Ervideira, Portugal
Marli Siqueira e Duarte Leal Costa
Da esquerda para direita: Mariana Perini, Rachel Martins, Ana Claudia, Andréia Lopes, Marli Siqueira, Elaine Silva e Zainer Silva prestigiando a Ervideira

 


sábado, 2 de junho de 2012

Noite de Tokaji Aszú






Encontro no Carone de Vila Velha, tendo, como sempre, o grande anfitrião Vanderlei Martins. Neste dia, a confrade Marli Siqueira, além de sortear uma linda echarpe de onça vinda direto de Paris (quem ganhou foi Marina Monteiro), nos ofereceu um Tokaji Aszú Oremus 2003. Conta a lenda, que os vulcões da Hungria foram os primeiros responsáveis pela formação dos terroirs de Tokaj, região situada no nordeste do país, próxima à fronteira da Eslováquia. Mas foram os romanos que plantaram os primeiros vinhedos na região. 


Até que lá pelos anos 1240, os húngaros, preocupados com os ataques dos turcos, resolveram atrasar a colheita das uvas, o que ocasionou o surgimento de um misterioso fungo - Botrytis cinerea - que atacou as videiras. Naquela época as coisas eram difíceis e qualquer desperdício significava um sacrilégio, por isso produziram o vinho assim mesmo. 

Os húngaros não sabiam, mas estavam começando a produzir um dos mais espetaculares vinhos de sobremesa de todos os tempos, uma bebida refinada, de coloração dourada, com notas intensas de mel e frutas secas.

Hoje, os Tokajis (lê-se tocáiis), da região de Tokaj, são reconhecidos pela Unesco como os primeiros no mundo produzidos de uvas botritizadas. A Botrytis cinerea é um fungo microscópico que ataca as uvas, penetra em seu interior e as desidrata severamente, deixando-as com aparência de uvas passas. No interior do fruto desidratado, permanece alto teor de açúcar, sais minerais e ácidos naturais residuais. Os húngaros chamam essa uva murcha de fungo de Aszú.  

A Botrytis cinerea nunca ataca os cachos por inteiro, o que faz com que a colheita de Aszú seja lenta e trabalhosa. São necessárias diversas passadas para o "picking" - nome que se dá ao processo de seleção dos bagos botritizados. Essa tarefa é realizada exclusivamente por mulheres, pois homens, claro, não têm paciência para executar a delicada tarefa. Por isso, algumas mulheres trabalham na colheita há mais de 60 anos.

O vinho é tão famoso que é citado até na letra do hino nacional da Hungria. E por isso é conhecido como “néctar dos deuses”. O grande pensador francês Voltaire, por exemplo, dedicou-lhe um poema. E não é difícil imaginar que algumas das melhores obras de Beethoven, Schubert e Rossini tenham sido inspiradas por uma ou duas taças de Tokaji, do qual eram admiradores.

Conta a lenda que desde a Idade Média o Tokaji Aszú é conhecido como “Vinum regnum-rex vinorum",  algo como “vinho dos reis e rei dos vinhos”. Dizem que foi assim que Luís XIV, o Rei Sol, o teria apresentado a sua amante, Madame de Pompadour. A lista inclui, também, a rainha Vitória, da Inglaterra; o tzar Pedro, “o Grande”, da Rússia; e a imperatriz Maria Teresa, da Áustria. Todos acreditavam que este vinho trazia longevidade a quem o degustava.

As uvas Aszú (botritizadas) chegam à vinícola em recipientes de madeira, que comportam em torno de 25 quilos, chamados "puttony" ou “putt”. São elas que irão definir o grau de doçura do Tokaji Aszú. O rótulo menciona 3, 4, 5 ou 6 "puttonyos", o que traduz a quantidade de "puttonyos" (caixas de uvas botritizadas) que foram acrescidos aos 136 litros (correspondentes a uma barrica local - ou "gönc") de vinho base, ou seja, mosto fresco de uvas brancas não atacadas pelo fungo. Atualmente, a doçura se mede por gramas de açúcar residual por litro. O tempo mínimo de estágio em barricas também varia e até recentemente se dizia que seria, em anos, o número de puttonyos mais dois. Assim, um Aszú 6 "puttonyos" só poderia ser engarrafado, no mínimo, oito anos após ser produzido. Na prática, não é bem assim e se engarrafa bem antes do previsto.

Via di Vino



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Surpresas oncísticas


Hoje as onças foram recebidas, mais uma vez, por Vanderlei, Olício e Arlete, no Carone de Vila Velha, para uma deliciosa degustação. Como sempre foi diversão garantida. Vanderlei, sempre prestativo, desta vez, preparou uma surpresa para lá de oncística - um licor africano, cuja textura da garrafa é "pura onça". Uma beleza! Todas as confrades estão esperando a chegada dele no mercado para adquirir uma. Além disso, nos fartamos com o bacalhau - maravilhoso - feito por nossa querida Arlete. Confira a seleção de vinhos:

 "SE VOCÊ QUER CONHECER UMA BOA VINÍCOLA, EXPERIMENTE O VINHO MAIS BARATO QUE ELA PRODUZ"

A confraria foi aberta com o "espino", um chileno, Chardonnay, 90 pontos. Uma preciosidade, por ótimo custo-benefício (R$ 39).



O segundo da lista foi o francês Le clos de Reynon, que não tem madeira. É 100% Merlot, o que é raro num Bordeaux. Amadurece em tanques de inox e é engarrafado durante o verão.
Possui uma cor rubi intenso, de aroma frutado, floral acompanhado de ervas como a menta e a pimenta-preta. Na boca, é seco, de corpo leve, equilibrado com taninos macios e de boa persistência.

Em seguida, nosso grande Olício serviu as taças com o Bicentenário, Carménère, também chileno, de R$ 54. As onças adoraram, acharam leve. Essa uva é considerada "rústica". Segundo Vanderlei, com menos de quatro anos não dá para beber um vinho deste tipo.


O quarto da lista foi o Clos Centenaire, outro chileno, que ainda não está à venda no Brasil. Um clássico bordales, que reúne Cabernet Sauvignon, Malbec,  Cabernet Franc e Petit Bordeaux. Este vinho apresenta uma brilhante e profunda cor vermelha rubi, com insinuações violetas. No nariz é complexo e elegante, apresentando notas florais e de frutas maduras, além de sutis aromas de cedro e tabaco. Brevemente ele estará à venda no Carone. 

O quinto vinho servido foi um português, da região do Douro, o Crasto, com Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Sem estágio em madeira, é um vinho fresco, frutado e “fácil” de beber. Na boca a fruta está bem presente, com boa estrutura e taninos ligeiros. Preço: R$ 89.

Depois, fizemos uma pausa, antes do jantar, para o sorteio. A confrade Rachel Martins trouxe um mimo direto de Imbituba, Santa Catarina, só Deus sabe como ela achou essa taça de vinho de onça naquela vila de pescadores. Tudo bem, é "made in China". Mas vá lá. Quem ganhou a taça (de vidro, tá?) foi Renata Rasseli. Da próxima vez ela prometeu que traz para todas!
Hora de jantar o delicioso bacalhau, feito carinhosamente pela fada Arlete.
Por fim, a grande surpresa da noite, um licor africano, cuja textura da garrafa é pura onça. Claro, as confrades quase surtaram e estão esperando ansiosamente a chegada dele no Carone. Olha a cara do Vanderlei rindo da "falação" das onças. Bem, o licor é delicioso. E, fala sério, depois que acabar, é só aproveitar a garrafa e transformá-la num lindo vaso de flores para a sua casa. Vai ficar o "must".

Finalmente, a noite terminou com chocolates e esse Porto maravilhoso!




E já que nossa confraria está indo de "vento em popa", podemos personalizá-la comprando estas taças. O que acham? Cada uma custa R$ 29 e dá para adquiri-las via internet na La Ville. Assim ninguém vai ficar com ciúmes de Renata Rasseli.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Vinhos portugueses

Hoje fomos recebidas por Vanderlei Martins e equipe, do Carone, em alto estilo, para nossa primeira degustação de 2012. Os vinhos servidos foram: Monte dos Pegus (branco), Monte dos Pegus (tinto), Encostas de Pias (tinto), Monte dos Pegus - Reserva (tinto), todos alentejanos, Pedra d'Orca (tinto), da região do Dão, e Trés Arcos, do Porto. São excelentes e têm um ótimo custo-benefício: até R$ 30.


Arlete Nunes, nossa chef de mão cheia, Vanderlei Martins, nosso anfitrião, e Olício Santana - a equipe nota 10 do Carone


Monte dos Pegus (branco)
 

Monte dos Pegus (tinto)


 Encostas de Pias (tinto)


 Monte dos Pegus - Reserva (tinto)


Lombinho com molho de laranja e purê de inhame


 Pedra d'Orca (tinto)


Trés Arcos


E para comemorar o aniversário de Andréia Lopes (presidente) e Ana Claudia um bolo especial



As onças e seus anfitriões: Mariana Perini e Zainer Silva (sentadas). E da esquerda para a direita: Marli Siqueira,  Andréia Lopes, Ana Claudia, Arlete Nunes, Vanderlei Martins e Olício Santana